18 de julho de 2011

Mas quem disse que eu te Esqueço




















Tristeza rolou dos meus olhos
De um jeito que eu não queria
E manchou meu coração
Que tamanha covardia
Afivelaram meu peito
Pra eu deixar de te amar

Acinzetaram minh'alma
Mas não cegaram o olhar

Saudade amor, que saudade
Que me vira pelo avesso
E revira meu avesso
Puseram a faca em meu peito
Mas quem disse que eu te esqueço
Mas quem disse que eu mereço

D. Ivone Lara

13 de março de 2011

XVII

Não te amo como se fosses rosa de sal, topázio
ou flecha de cravos que propagam o fogo:
te amo como se amam certas coisas obscuras,
secretamente, entre a sombra e a alma.

Te amo como a planta que não floresce e leva
dentro de si, oculta, a luz daquelas flores,
e graças a teu amor vive escuro em meu corpo
o apertado aroma que ascendeu da terra.

Te amo sem saber como, nem quando, nem onde,
te amo diretamente sem problemas nem orgulho:
assim te amo porque não sei amar de outra maneira,

senão assim deste modo em que não sou nem és
tão perto que tua mão sobre meu peito é minha
tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho.

(Pablo Neruda, in: Cem Sonetos de Amor)

Andar conmigo...

Foto: Juca Filho "Fim de Tarde"
Hay tanto que quiero contarte,
Hay tanto que quiero saber de ti,
Ya podemos empezar poco a poco,
Cuentame que te trae por aqui,
No te asustes en decirme la verdad,
Eso nunca puede estar así tan mal,
Yo tambien tengo secretos para darte,
Y que sepas que ya no me sirven más,
Hay tantos caminos por andar,
Dime si tu quisieras andar conmigo,
Cuentame si quisieras andar conmigo,
Dime si tu quisieras andar conmigo,
Cuentame si quisieras andar conmigo
Estoy anciosa por soltarlo todo,
Desde el principio hasta llegar al día de hoy,
Una historia tengo en mi para entregarte,
Una historia todavia sin final,
Podriamos decirnos cualquier cosa,
Incluso darnos para siempre un siempre no,
Pero ahora frente a frente aqui sentados,
Festejemos que la vida nos cruzó ,
Hay tantos caminos por andar,
Dime si tu quisieras andar conmigo,
Cuentame si tu quisieras andar conmigo,
Dime si tu quisieras andar conmigo,
Cuentame si tu quisieras andar conmigo,
Si quisieras anadar conmigo
Si quisieras andar conmigo
SI quisieras andaar conmigo
Si quisieras andar conmigo
Julieta Venegas


26 de dezembro de 2010

Receita para um novo dia


Pegue um litro de otimismo,
Duas lágrimas –de preferência

Escorridas no passado.

Duas colheres de muita luta

E sonhos à vontade.

Duzentos gramas de presente

E meio quilo de futuro.

Pegue a solidão, descasque-a toda

E jogue fora a semente.

Coloque tudo dentro do peito
E acenda no fogo brando das manhãs de sol.
Mexa com muito entusiasmo.
Ao ferver, não esqueça de colocar
Uma dose de esperança
E várias gotas de liberdade.

Sorrisos largos e abraços apertados,
Para dar um gosto especial.
Quando pronto,
assim que os olhos começarem a brilhar,
Sirva-o de braços abertos.

Sérgio Vaz

*do livro Colecionador de pedras (Global Editora)

10 de dezembro de 2010

NOITE TRISTE

O que eu sinto não importa
O que me dói só dói em mim
A imaginação que me corta
A imagem torta, a porta aberta
Os cães latindo, o gosto de fel
A amarga angústia de poeta

Tortura sofisticada a da frieza
O punhal gelado, a indiferença
O próprio fígado servido à mesa
O desamor exposto à certeza
O desprezo, ausência de crença
Minha incontestável tristeza

Luar que não dá conta de mim
Noite que passa sem parar
Nem reparar no meu canto
Meu peito infeliz cantando
Canção que amassa o meu pranto
Melodia que antecipa meu fim 

Horas rubras


Horas profundas, lentas e caladas
Feitas de beijos sensuais e ardentes,
De noites de volúpia, noites quentes
Onde há risos de virgens desmaiadas…


Ouço as olaias rindo desgrenhadas…
Tombam astros em fogo, astros dementes.
E do luar os beijos languescentes
São pedaços de prata p’las estradas…


Os meus lábios são brancos como lagos…
Os meus braços são leves como afagos,
Vestiu-os o luar de sedas puras…


Sou chama e neve branca misteriosa…
E sou talvez, na noite voluptuosa,
Ó meu Poeta, o beijo que procuras!

XXXI

A quién le puedo preguntar
qué vine a hacer en este mundo?

Por qué me muevo sin querer,
por qué no puedo estar inmóvil?
Por qué voy rodando sin ruedas,
volando sin alas ni plumas,
y qué me dio por transmigrar
si viven en Chile mis huesos?