10 de dezembro de 2010

NOITE TRISTE

O que eu sinto não importa
O que me dói só dói em mim
A imaginação que me corta
A imagem torta, a porta aberta
Os cães latindo, o gosto de fel
A amarga angústia de poeta

Tortura sofisticada a da frieza
O punhal gelado, a indiferença
O próprio fígado servido à mesa
O desamor exposto à certeza
O desprezo, ausência de crença
Minha incontestável tristeza

Luar que não dá conta de mim
Noite que passa sem parar
Nem reparar no meu canto
Meu peito infeliz cantando
Canção que amassa o meu pranto
Melodia que antecipa meu fim 

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