O que me dói só dói em mim
A imaginação que me corta
A imagem torta, a porta aberta
Os cães latindo, o gosto de fel
A amarga angústia de poeta
Tortura sofisticada a da frieza
O punhal gelado, a indiferença
O próprio fígado servido à mesa
O desamor exposto à certeza
O desprezo, ausência de crença
Minha incontestável tristeza
Luar que não dá conta de mim
Noite que passa sem parar
Nem reparar no meu canto
Meu peito infeliz cantando
Canção que amassa o meu pranto
Melodia que antecipa meu fim

Nenhum comentário:
Postar um comentário